domingo, 28 de agosto de 2016

VERITÀ MODA TEM AS MELHORES MARCAS DE LINGERIES




Na Avenida Getúlio Vargas entre o Palácio dos Esportes e o antigo Hotel Soprana.




Telefone 3322 8535.

Miss Araranguá vence o concurso Miss Santa Catarina 2016

Miss Araranguá vence o concurso Miss Santa Catarina 2016 João Souza / Divulgação/Divulgação


Foto: João Souza / Divulgação / Divulgação


Mariana Guerra, Miss Araranguá, foi a grande vencedora do concurso de beleza Miss Santa Catarina. Ela foi escolhida entre outras 15 concorrentes durante uma cerimônia no Maria's Itajaí no sábado à noite. O título de vice ficou com a Miss Joaçaba, Thainara Latenik. No terceiro, quarto e quinto lugar ficaram as representantes de Itapema, Joinville e Blumenau, respectivamente. 



Diário Catarinense 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

RIO DE LAMA


“Rio de Janeiro você não me dá tempo de pensar, com tantas cores sob esse sol. Mas pra que pensar se eu tenho o que quero, tenho a nega e o meu bolero, a TV e o futebol”.
Minhas impressões de um Rio pré-Olimpíadas.
Três freadas bruscas seguidas na aterrissagem. Nunca tinha passado por tal situação. Impressionou, mas não botou medo. A pista do Santos Dumont deve ser mais curta que a maioria.
No saguão os berros do pessoal dos táxis em disputada busca por clientela, sobressaíam da turba que transitava pelos corredores. Eu preferi contratar o serviço em um balcão e procurei uma fila já na rua, onde me foi indicado o carro que me levaria ao hotel.
Não podia dar muita atenção ao motorista que falava mal do sistema UBER, porque precisava me localizar. Não ocorreram desvios e em pouco tempo, Ipanema, meu destino, já se avizinhava.
Na entrada do hotel um caminhão desentupia o encanamento de esgoto e o odor denunciava o desleixo do poder público e a pouca consideração para com os moradores e turistas.
Instalei-me e logo fui para o calçadão à beira-mar em meio a um tumulto de pessoas, vozes, idiomas e sotaques. Vendedores ambulantes, todos sem qualquer credencial da Prefeitura, abordavam os turistas oferecendo-lhes todo tipo de regalos chinfrins. Tinha até estrangeiro vendendo seu peixe.
Uma senhora tatuada que me estendia pulseiras, disse que “acá no está bien porque ai poca plata”. Se não está bom para vendedor ambulante de Ipanema, imagine-se o que passam os empresários que dão emprego, produzem riquezas e pagam pesados impostos.
A frota de automóveis é composta de carros comuns. Encontrei apenas uma SUV da Porsche e um automóvel da BMW, o resto só nacionais e populares. Deve ser a crise que abala a todos.
Os restaurantes que vi, todos tinham mesas vagas. O tal “Garota de Ipanema”, disputadíssimo, me recebeu meio que de nariz em pé. Não vou entrar em detalhes, mas não indico o botequim para quem gosta de educação e respeito.
Já sentado à mesa, olhei para o outro lado da rua e vi que o colega da Garota, “Vinicius de Moraes” estava com todas as mesas vagas. Levantei-me sob o olhar inquisidor do pequeno garçom e me fui até lá, onde fui muito bem recebido. Comida boa e preço bom.
Pagar para ser mal atendido deve ser masoquismo.
Em três dias ouvi somente um relato de furto de celular e passear pela calçada foi tranquilo. É evidente que há que ficar esperto nessas horas.
O policiamento nas ruas chamava atenção. Exército, Polícia Militar, Guardas Municipais e outros contratados faziam rondas a pé e motorizados. A sensação era de segurança e não me senti vulnerável em nenhum momento, apesar de ter sido alertado pelo pessoal da recepção do hotel sobre assaltos a mão armada.
A moça que me atendeu no café da manhã disse que nas favelas o turista podia entrar sozinho sem medo, porque os chefes do tráfico não queriam a polícia por lá e castigavam o malandro que roubasse alguém de fora da comunidade. Fiquei na planície mesmo. Pobreza se vê em qualquer rincão deste País e “Tropa de Elite” me deu um panorama do modus vivendi do morro.
Corcovado e Pão de Açúcar lotados de gente, a maioria brasileiros. Lá não vi policiamento e imaginei uma gangue ou um islamita fanático aprontando alguma. Grave falha do sistema de segurança pública.
Para ir do Cristo à Urca passamos por uma favela e a guia da Van que peguei impressionou a todos dizendo que se ouvíssemos um “ta-ta-ta” de algum transeunte, deveríamos nos abaixar de imediato porque estaríamos passando por um tiroteio. O romano Marco, à minha frente, arregalou os olhos. Sua obesidade era alvo fácil de alguma bala, perdida ou não. Achei desnecessário o alerta de voz firme e convincente. Nada aconteceu, mas chilenos e europeus que nos acompanhavam ficaram muito preocupados a ponto de uma família de santiaguenses abandonar o passeio na metade do trajeto.
As extensas filas para acesso aos mais famosos pontos turísticos ficavam a céu aberto e sobre chão lamacento. Africanos ou haitianos, faceiros, vendiam guarda-chuvas por vinte reais, o que protegeu a maioria da garoa que passou a cair.
O turismo no Rio de Janeiro, então, deixa a desejar em muitos aspectos, mas o que mais marcou foi a sujeira. Ruas emporcalhadas de todo tipo de dejeto, de canino a humano. Perguntei ao vendedor de coco em frente da catedral e da Petrobrás, a razão do mau cheiro e ele, indignado, disse que o pessoal evacua sob uns arbustos de um canteiro, apesar de existir banheiro a poucos metros de distância. Uma barbaridade. Os homens das cavernas agora são os homens das moitas urbanas, e os ditos civilizados jogam suas porcarias na famosa lagoa. A fedentina está por toda a parte. Da Baía da Guanabara não precisa falar porque todos sabemos que lá tem todo tipo de lixo, de sofá a garrafa pet, de estrume a óleo queimado. Uma podridão.
Para o estrangeiro que aqui aporta deve ser tudo muito exótico, como o zoológico que o Lulinha deixou de limpar faz anos. Devem querer ver como vive um povo comandado por corruptos e ladrões em meio a sujeira ambiental e política, ou estão interessados somente na beleza que a fotografia revela?
Como sediar Olimpíadas em pocilga? Que imagem levarão daqui os nossos visitantes?
A minha impressão não pode ser das melhores e o sentimento é de vergonha.
O Rio de Janeiro continua lindo só em cartão postal, mas “pra que mudar se tenho a nega, o bolero, a TV e o futebol?”

Renato Mauricio Basso
[10:56, 4/8/2016]

“Que mal lhe pergunte, é despeito ou você tem alguma coisa contra?”
Pelo modo meio incisivo de falar, pensei que fosse provocação, mas, logo em seguida, vi que era o jeitão do caboclo que o fazia agir daquela maneira. Maneira rude, mas sincera. Se podia dar crédito.
Sem desrespeitar expliquei o meu posicionamento e gostei quando ele entendeu a lógica, visualizou o conjunto e tirou suas próprias conclusões.
Sempre há de se ter resposta para eventuais argumentações e uma boa dose de didática, mas se o cidadão está antenado, ligado ao caso e ao quadro que se lhe expõe, o sucesso é garantido no se fazer entender e no entendimento.
Concentro-me na solução e não no problema, até por que, o problema era dele, não meu. A solução era fazê-lo ver que o seu caminho estava completamente errado, e ele, sem qualquer mapa ou GPS, dava com o burro no banhado. Saiu do lodo ligeirinho, só com um aviso. Percebeu o quadro todo e a fria em que estava se metendo. Caboclo esperto. Rude, mas esperto.
Na minha didática procuro desenhar o caso, mesmo para os mais letrados, não por subestima-los, mas para me sentir mais seguro no relato.
E tem aquele imbecil que atrapalha o resgate. Com sua teimosia e parca visão, tropeça até na mangueira do soro ao se deparar com ideia alheia. Não quer saber do aviso de perigo e atravessa o sinal vermelho a mil por hora. Suicida, talvez. Ou do estado satânico.
Nessa hora não tem didática que ajeite, nem mesmo pátria educadora. Quando não se quer entender, ou não se pode, a coisa é séria. Há que avaliar se vale a pena orientar o vivente, ou não.
Este foi rude ao perguntar se eu tinha alguma prova contra a Dilma. Rude e imbecil. E a minha resposta foi em uma única palavra “nada”. Não dá para gastar tempo com quem está no fundo da areia movediça. Tiro da lama antes os que podem ajudar no resgate dos mais próximos e menos atolados. Aos que estão só com a mão de fora, acenando, digo adeus.
O imbecil em questão é pré-candidato a vereador, PCdoB ou coisa que o valha, e defendia o PT com raiva e rancor, enfatizando o “golpe” em curso e as conquistas sociais dos últimos treze anos.
Já sabia, todo comunista é fanático, assim como aqueles fundamentalistas que se explodem em público, ignorantes que militam utopias. Quando percebi a qualidade do aprendiz de traquinagem, saí e deixei-o falando sozinho. O cara era rude e insipiente. Terá um ou dois votos, o seu próprio, se encontrar a tecla certa.
Nos meus diálogos quero saber como pensam os pré-candidatos que já estão em campanha e conversarei com alguns. Na semana que vem desenharei um quadro para uma senhora com boas intenções e verei qual é a lente dos seus óculos. Se enxergar bem tem o meu voto.


Renato Mauricio Basso 
Juiz aposentado

quarta-feira, 20 de julho de 2016

CAMINHADA PERIGOSA

20 07 2016


Curso superior, com um bom dinheiro no bolso e no ápice da pirâmide social em sua pequena cidade. A patroa, sempre na coluna do humilde jornal local, também com terceiro grau completo e com a arrogância de quem pensa em ficar em pé.
O fino casal de brasileiros que conheci durante a viagem, meus vizinhos de Estado, se deliciavam com o raro sol do outono, na ampla escadaria da catedral e se fartavam de bananas e tangerinas. O primeiro arremesso nada certeiro foi dele. Errou uma pequena lixeira que estava a uns dez passos e lá deixou a casca de uma banana, no passeio, sem se preocupar com o perigo que ela representava, nem mesmo com a poluição. Deveriam ter noção do convívio em comunidade, mas estavam mais preocupados em registrar sua presença “nas Europa” para mostrar aos amigos e inimigos da sua cidade natal. E registraram! Não só em fotos.
De forma mansa e alcançando-lhes uma sacola plástica que sempre tenho em minha mochila, lhes disse que o povo europeu não estava acostumado com aquela cena e que seria bom se recolhessem a casca de banana para ninguém nela resvalar e as cascas de tangerina que já estavam meio que espalhadas pelos degraus.
Sua reação não me causou espanto, não precisa dizer por quê. Argumentaram com sorriso de canto de boca, que naquele País rico deveria ao menos ter uns garis para recolher o lixo de quem lá deixava seu suado dinheirinho...
A casca de banana eu recolhi e a deixei dentro da sacolinha junto deles.
Lembrei hoje, domingo de sol pleno, do distinto casal, quando fui caminhar pela Estrada da Rainha. É que na descida rumo a Praia Brava quase fui alvo de uma garrafa de cerveja vazia jogada de um carro em movimento. Dez da manhã e já havia bêbado mal-educado enchendo a paciência do freguês por aquelas bandas.
Não me incomodei pelo fato de quase ser atingido e tomei uma atitude ainda no campo de visão do desleixado. O radar fixo da rodovia o fez diminuir a marcha e ele pode me ver juntando o seu lixo. Seu retrovisor externo denunciava sua curiosidade enquanto eu já alcançava a lixeira para depositar a garrafa. Em outro carro que passava, também percebi um sorriso maroto do motorista ao flagrar-me juntando lixo no passeio da bela rodovia.
Qual o tipo de sanção para um relaxado desse tipo? Na Europa é multa pecuniária, na certa. Aqui no Brasil, nada. A impunidade está nas mais corriqueiras atitudes e se estende aos corruptos engravatados. Questão de cultura, de educação. O engraçado é que ficam gozando da cara de quem quer mudança. O porcalhão na risadinha e o da gravata no desdém ao povo, ao Judiciário, a tudo. Não me aborreço. Faço a minha parte.
E para terminar o passeio, fui atropelado por uma bicicleta conduzida a mil por hora por uma senhora sessentona. Nada grave. Mas, ela invadiu a pista de uso comum dos pedestres e dos ciclistas repentinamente, sem qualquer sinal de alerta e sem usar o freio. O pneu bateu-me numa das pernas e está tudo bem. Só que, quase apanhei da mulher ao pedir que ela tivesse mais cuidado com quem caminha.
Como o povo brasileiro só aprende na base do castigo, necessário se faz criar leis com multas pesadas para quem joga lixo por aí e regulamentação de trânsito para bicicletas com obrigação do uso de alertas sonoros, aqueles presos ao guidão. No mais, propaganda frequente em rádio e televisão ensinando o povo normas de cidadania e boa convivência.
Alguns corruptos estão se vendo com Moro...
Como será que aquele casalzinho andaria de bicicletas em meio a pedestres...?

 

Renato Mauricio Basso

Juiz aposentado

domingo, 10 de julho de 2016

GRATIDÃO COMO PRESENTE

09 07 2016


Hoje o meu velho pai faria 107 anos de idade. Dispenso o complemento “se vivo fosse” por razões óbvias.
Mas ontem, antecipadamente, dei a ele o meu presente mais caro, a lembrança da sua presença na minha vida. A coisa foi mais ou menos assim, peguei uma tesoura de poda e fiz uma arrumação geral num pé de acerola no pátio de um amigo.
Ao comprimir os cabos da cortadeira manual lembrava de como meu pai e o pai dele me ensinaram na lida da poda de parreiras, figueiras e demais árvores frutíferas que possuíamos em nosso “latifúndio” urbano.
É uma questão de domesticação, ou educação, como queiram. Bati com a cara no muro muitas vezes e o velho sempre esteve ao meu lado para me dar o rumo certo.
A domesticação da planta requer conhecimento, técnicas de direcionamento, de adubação, de seleção de sementes. Os antigos aprenderam domesticar o trigo, o arroz, as árvores e os animais em seu favor, para que houvesse maior segurança, longevidade, tudo em equilíbrio com o todo, para que se tenha maior produtividade, progresso, fartura, só coisa boa.
Os nossos ancestrais aprenderam que educar o rebento para um caminho sem muita complicação, sem muito cascalho, nos trilhos da honestidade, em busca sempre do bom dever cumprido, é o rumo da felicidade.
Obrigado seu Otero e nono Ricardo. Valeram seus esforços! Tenho certeza que hoje estão satisfeitos aí no outro nível, ao ver sua família unida e batalhando ao lado dos bem intencionados. Mostro aos meus filhos e neta o mesmo caminho.
E a ramada que o pé de acerola construiu ao longo de alguns anos sem direcionamento, eu fui desbastando devagar e atento. O tronco está saudável, e forte galhada impulsiona a árvore para cima, em busca de luz. Vale a pena cuidar, dar atenção. Cortem-se os galhos mortos, os doentes e os mirrados, para que a planta possa usar toda sua seiva, seu vigor, na concepção de bons frutos e boas sementes. A poda é essencial para se ter uma boa árvore com boa produção, e é um trabalho dignificante, construtivo.
Rapaz, deixei a planta enxuta! Só galhos bons, com boa luminosidade e sem aquela trama toda de galhos podres, de peso morto, a prejudicar seu crescimento.
Quero que minha produção tenha vida plena e que dê bons frutos.
Quero atravessar a fronteira da vida sem pedras de rancores e omissões na minha mochila. Dinheiro e patrimônio não dá para levar junto, mas quem sabe um excelente filme na memória? Não custa tentar.
Feliz aniversário, meu velho! Obrigado pelos ensinamentos e pelas podadas que me deu!

 

Renato Mauricio Basso
Juiz aposentado

sexta-feira, 8 de julho de 2016

A ARTE, O ARTISTA E O ARTEIRO

08 07 2016

 
E o que é a arte senão a proximidade com a perfeição? Você vê o sorriso da Monalisa e nota que Da Vinci foi um gênio ao concebê-la, um verdadeiro artista. De outra banda, vê o sorriso maroto da Dilma e nota que Lula foi um jumento ao fazê-la sucessora, um arteiro de marca maior.
Mas dizem que a política é a arte do relacionamento humano e eu tenho que discordar. Se isso que está acontecendo por aí é arte, então eu digo que tem muito arteiro merecendo ser emoldurado e rotulado como obra prima do cambalacho nesse lupanar coaxante.
Não seria bonito o companheiro poder vislumbrar o contexto e propor umas medidas certeiras para o bem da comunidade, da sociedade como um todo em suas teias de convívio, de subsistência e de progresso? Mas a velha história do “o que vai sobrar pra mim?” é mais conveniente no momento para o partido e para o legislador. A lenda de que todo mundo tem um preço é o limite da honestidade. A partir da fixação do valor, tudo vale. Isso, meus amigos, tem um nome bem conhecido: prostituição! Nada mais, nada menos, e até parece que nasce com o indivíduo, instinto puro, de sobrevivência, talvez.
Ninguém está preocupado em alertar o contribuinte desse emaranhado de intrigas e corrupção, até pelo fato de não se querer dividir o espólio do saque com muita gente. Educação zero! Não sobraria muito para cada um e o esforço da lida criminosa não seria bem recompensado.
É a filosofia da volúpia que penetra na carne do infeliz e o torna dela dependente. Um vício como o furto e o alcoolismo, uma fraqueza humana. Para esse tipo de gente poder-se-ia dizer que coçar e roubar é só começar. Os canalhas só veem o próprio umbigo, envoltos que estão pela fumaça da criminalidade. A arte da boa convivência humana? Não sabem o que é isso e nem querem saber.
Enquanto não se ensinar aos jovens conceitos fortes de ética e princípios básicos de relacionamento humano, não teremos bons cidadãos nos postos de comando do país. Uma lei ordinária que exigisse cursos práticos e teóricos para habilitação a qualquer candidatura a cargo político, poderia amenizar os problemas atuais com corrupção, moldando o candidato para agir com maior lisura possível na legislatura e na administração pública.
Como Juiz Eleitoral fui duramente criticado quando exigi prova de alfabetização para deferimento de pedido de inscrição de candidaturas de vereadores e prefeitos. Em segunda Instância ficou decidido que se alguns analfabetos podem votar, podem ser votados. Ora, um cidadão que “nasceu analfabeto” e assim continuou vida afora, nunca poderá apresentar um projeto de lei, a não ser através de cara assessoria, e se tiver alguma tendência ao ilícito, então, logo entrará para o clube da traquinagem nos meandros dos plenários.
Como os nossos congressistas jamais legislarão aceitando dificuldades eleitorais, se faz necessário uma proposta popular para mudar essa palhaçada de voto de analfabeto e de diplomação de safados sem compromissos com o povo e a democracia.
Um bom projeto poderia prever, não somente bons antecedentes dos candidatos, como já é prática legal, mas, ainda, uma prova de sanidade mental e moral, a exemplo do que é exigido dos candidatos a cargos como Juiz de Direito e Promotor de Justiça. É o mínimo que se pode fazer no momento para moralizar e capacitar legislativo e executivo. Um exame psicológico pode identificar tendências imorais do político, assim como identifica se o candidato a magistrado tem, ou não, o perfil moral necessário para o bom desempenho da função. Cursos práticos de elaboração de leis, darão maior autonomia e independência ao legislador.
É a única saída de emergência que vejo nesse incêndio de paixões.  
No mais, a longo prazo, a esperança está nas novas gerações que deverão ser educadas para tomar as rédeas da nação. Devagar, de um em um os ladinos estão indo se ver com Lúcifer e novos espaços irão se abrindo para espíritos mais evoluídos. Tenho esperança que mentes melhor iluminadas farão a diferença em breve e que o convívio humano se tornará realmente uma arte, próximo da perfeição, com menor número de bandidos possível.


Renato Mauricio Basso
Juiz aposentado

terça-feira, 5 de julho de 2016

PELAS CALÇADAS DA LAMA

05.07.2016
 

Pensa-se assim ou assado por algum motivo nem sempre aparente. Pode-se querer dizer uma coisa e o cidadão entender outra bem diferente. E não é falta de didática, é falta de capacidade de discernimento mesmo. O camarada não consegue se encontrar dentro da sua própria mente e se confunde com a massa, se funde a ela. É um rolo desgraçado, embolado, coisa indivisível que leva o contribuinte praticar certos atos nada educados.
Um exemplo de má conduta é levar o cachorrinho Lulú-Lalá para fazer suas necessidades fisiológicas na calçada. É nojento. Mas todo mundo faz isso, não é mesmo? É uma maneira de pensar, melhor dizendo, não pensar, todos juntos, absortos, desdenhando a observação alheia. Um pensamento de massa, de povo, no caso muito mal educado que precisa de corretivo.
Como o povo só aprende na base da lei, não do senso de comunidade, de fraternidade, necessário regulamentar a convivência com o cachorro amigo para que o amigo cachorro não encha as ranhuras no seu tênis de esterco.
Legislam-se vários assuntos, teve aquele vereador forçando a barra, nervoso, queria que o município pagasse cesta básica de alfafa para os equinos que puxavam carroças pelas ruas. Penso que ele nunca pisou em excremento canino nas suas andanças à caça de votos. Equino, talvez, aquele verdinho, por isso estava mais preocupado em beneficiar os cavalos.
Mas quem sabe, se possa fazer um projeto de lei bastante abrangente, que obrigue os donos de animais domésticos fazer o registro do seu amigo junto às secretarias de saúde pública, tudo completo, desde data de nascimento, se tem ou não pedigree, controle de vacinas, coleira de identificação com endereço e telefone do dono e, o que é muito importante, certificado de adestramento básico que teria como principal objetivo educar o bicho para não atacar estranhos sem ordem e defecar somente em locais apropriados, montados especificamente pela administração municipal.
Com isso viriam mais postos de trabalho e de serviços.
Custos? Não são de grande monta. Uma sala de cadastramento e alguns canteiros pela cidade que seriam higienizados pelos próprios garis. Dinheiro? A lei preveria pagamento de taxa de inscrição e renovação de licenciamento de conformidade com as despesas para manter a regularidade do serviço.
Evidente que seriam previstas penas para quem não mantivesse em dia as vacinações básicas e deixasse o seu melhor amigo defecar em locais proibidos. A fiscalização seria feita pela Guarda Municipal.
Mais um imposto? O eleitor irá gostar? O tempo é de crise? Sem problemas, pode o distinto legislador mandar seus assessores passar uma lista de adesão à causa e em poucos dias terá um número suficiente de assinaturas para desculpar-se perante seus eleitores pela apresentação do projeto.
Transitaríamos por nossas cidades olhando para frente e não para o chão, sem cuidar para não pisar em imundície. Entraríamos tranquilos em restaurantes, shoppings, cinemas e residências sem a preocupação de estarmos emporcalhados pela desídia do amigo cachorro.
Esse negócio de saquinho plástico para coleta manual não é solução em caso de diarreia e material pastoso. Aliás, nem todos fazem uso de tal recurso e somente na base da obrigação é que certas pessoas conseguem discernir, ter uma visão de bom convívio em sociedade. Geração atual, então, educada na base da lei. Gerações futuras educadas através da informação de massa.
Poder-se-ia prever na lei, ainda, um percentual da receita para a propaganda obrigatória, que iria educar as crianças a respeitar seus semelhantes. Não tem dinheiro suficiente para pagar espaços em rádio e televisão? Que se tire do que é destinado à propaganda do governo, que nada soma, a não ser promoção pessoal.
Um comunista assoprou dizendo que para resolver o problema do cocô na rua, deveriam, o ramo calçadista oferecer a preço popular solas sem ranhuras e os exploradores donos de restaurantes manter tapetes com detergente perfumado em suas portas de entrada.
Pensa-se assim ou assado por algum motivo.
 


Renato Mauricio Basso
Juiz substituto